Meu voyerismo te desenha

Maio 2, 2008 by moderador

De tudo que não se disse naquele fim de tarde, o mais importante foi sobre você. Guardei tudo para tentar te impressionar com meu jeito lento quase parando. Nunca funcionei bem com essas coisas e também não sei quando notam. No meio da conversa você me ligou e foi o suficiente pra que eu corasse na frente de todos, sem jeito. Percebi dois olhares que faziam sorrisinho de lado, indicando saber que era você na linha. Fiz de tudo pra não te trazer à mesa naquele instante, mas pedaço por pedaço teu saía dos meus olhos. E quando você se derramava já puxando junto meu coração, desliguei. Um baita alívio e só você sabe o quanto.

De tudo que não olhei no início da noite, o mais importante era você. Guardei o voyerismo pra te desenhar com meus olhos assim que a encontrasse. Sei te olhar - disso me gabo. Aprendi rápido, sem medo, e nunca me dói. Sinto-me impostor quando não o faço com calma. Você não foi feita para videoclipes, mas para planos-sequência que não tenham fim. Foi Deus quem me disse e eu concordei com ele.

De tudo que não ouvi naquela noite, o mais importante era a sua voz.

e se a cegueira me invadisse,

que
bran
do

cristal,
vidro
e me deixando teus cacos

me restaria tua voz, tua vez
minha lente quebrada no chão
de onde te olhei
cliquei
tele-te-cinei

e larguei

por todos estes
planos
de
palavra.

Ricardo Oliveira

Eu te filmei e isso não fez de mim um cineasta

Maio 2, 2008 by moderador

Hoje não estou para contos, amor. Estou para poesia. Dessas que vem enrroscadas, metidas, brincalhonas no meio de uma prosa cheia de falcatruas. Uma daquelas que você não gosta, não dá atenção. Cheia de repetições inúteis, redundâncias, só pra sentir seu olhar fugindo de mim. Prometo que desta vez, mas só desta vez, não estou nas entrelinhas. Resolvi ficar bem aqui, jogado na cara de um texto madrugueiro. É pra você, amor, que escrevo.

Viajei até onde não poderia, procurando segundos e milésimos de uma imagem que lembrasse o cheiro deixado por você num livro. Aquela cor esverdeada que você disse amar, que te dava cócegas nos olhos, fazendo duas ou três lágrimas caírem. Cada uma descia num bolero denso, pelas curvas do teu rosto branco. Eu te filmei e isso não fez de mim um cineasta.

não fez de mim um poeta
prosador, astronauta.
não.

mas desafogado
deste futuro
que ainda não ouvi.

Ricardo Oliveira

cansou

Abril 21, 2008 by moderador

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Mastigava espumas de travesseiro, esperando o sono chegar. Três ou quatro pedaços grudaram no dente e aquilo o perturbou: foi aí que dormiu.
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meta

Abril 18, 2008 by moderador

escrever um microconto sem a palavra “quando”.

vaidade

Abril 18, 2008 by moderador

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Quando você vai me falar sobre essa coisa fugaz? O quê, sobre a vida? É. Ah, isso aí fica pra amanhã - por agora, não corra atrás do vento.

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manoel

Abril 18, 2008 by moderador

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Fundou uma escola de samba pra seu carnaval fora de época - e pôs o nome dela. Quando a bateria fazia o recuo, era a hora do beijo.

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telona

Abril 18, 2008 by moderador

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Descobriu que toda vertigem é boa, desde que seja só nos filmes. Quando voltou a procurar por Madeleine, ficou tonto e gritou por Hitchcock.

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stress

Abril 18, 2008 by moderador

Tinha desabado três ou quatro esquinas antes de pensar em descansar. Quando notou, o sol já corria atrás tentando atirar-lhe pedaços de lua